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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

insone            sonho
de um sono              acordado
a todo instante

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

róseo oriente
rente ao horizonte - o
sol por trás dos montes

sábado, 6 de dezembro de 2008

postes postos póstumos
que minha lâmpada lamba
o cu do seu breu

domingo, 2 de novembro de 2008

paisagem

soldados de chumbo de verde plástico
contar todas as paixões em uma só mão
com a pinça dos dedos procurar por algo grande demais
eu sinto
que após você
tudo daria
uma grande, enorme, poesia

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

desce uma dose

desce uma dose
em nome de todos os nomes
de todos os santos
em nome
da distante Santos
que esse momento seja inteiro
bêbado, perca a sensação de momento
montanha momentânea
que rolem
as últimas conversas
sobre as mesmas primeiras e todas as coisas

esta noite nos acompanham
algumas luzes das janelas acesas
alguns postes acesos
idéias ascendem
fora de nossas cabeças
uma absurda fascinação cresce
por sobre as coisas mais absurdas

há cartas e mangas na mesa
os amores em jogo
mas só de brincadeira
estão esquentando
as cervejas nos copos
enquanto a noite
surdamente
amanhece por debaixo da escuridão
mas ninguém percebe

desce mais uma dose
em nome da própria dose
brisas distantes estão chegando tarde
é preciso estar acordado
quando era preciso estar sonhando

há um alguém que canta na mesa
e um qualquer que toca um violão
há um poeta que colhe
dados para sua quimera
e o gosto do sorriso de quem namora
na boca dos solteiros

tudo girando e impondo à noite
à todas as rodas das mesas
uma certa melancolia
e uma certa verdade
contidas nesta poesia etílica
incessantemente
até que as janelas escureçam
as luzes do bar se apaguem
nós apaguemos
e restem apenas
as luzes daqueles postes acesos
feito as últimas estrelas desse céu

domingo, 19 de outubro de 2008

um poema em 18 minutos com a palavra pitanga - extended and concrete version

pensei em colher
                                     com colher
essa sempre                         lembrança
                            lambança
que me dá de você
                , mulher
a Camila Pitanga na TV
                                               qualquer

mas você é bem mais vermelinha
                                                 safadinha



-pra cê ver o quanto eu tô levando esse blog a sério

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

probeza sem dó
contar todas as estrelas
em uma mão só

sábado, 20 de setembro de 2008

um poema em 18 minutos com a palavra pitanga

pensei em colher
essa sempre lembrança
que me dá de você
a Camila Pitanga na TV

mas você é bem mais vermelinha

sábado, 13 de setembro de 2008

madrugada adentro
irrompe o estrondo de um soco
a mãe em silêncio

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Exercendo

eu sei
eu ando ausente
mas não esquente
verso a verso
eu tenho subido de patente

quando chegar a tenente
volto aqui com um poema
que seja, no mínimo, decente.



Só uma brincadeira pra passar o tempo e atualizar o blog.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Crises de Relacionamento

Meu bem,
eu ando sem inspiração.
Isso não está nada bem.
Será que eu perdi tesão
por algo
ou por alguém?

Meu bem,
eu sei que não.
Não há no mundo coisa igual
nós já escrevemos tanta coisa juntos,
etcetera e tal.

Não sei, meu bem...
eu acho que isso
pode já ter sido
o nosso final.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Even me, even me...

Até agora tenho seguido fielmente o meu plano de não escrever nada nas férias.
Mentira, escrevi um rascunho de um texto em prosa aqui, mas, como eu já imaginava, tão fraquinho que não vai vir pro blog.
Eu larguei mão de ler tanta poesia também, tenho lido uns livros de prosa durante as férias. Romances e não-ficções.
Mas tem esse poema do Jack Spicer, com tradução do Ricardo Domeneck, que eu descobri no Revista Modo de Usar & Co (espero que eles não se importem, está devidamente creditado, não?) que canta muito bem um certo bloqueio em um certo ponto da poesia que, acredito eu, todo mundo tem. Gosto de pensar nos grandes poetas, como o Drummond, Bandeira, até mesmo os que eu só conheço de nome e que são importantes, tendo esse bloqueio. Dá uma coisa de humano nele, de algo não superável pelo nosso trabalho. Não queria vencer isto pra sempre, só às vezes que é bom (uma baita de uma ilusão).


Thing Language


This ocean, humiliating in its disguises
Tougher than anything.
No one listens to poetry. The ocean
Does not mean to be listened to. A drop
Or crash of water. It means
Nothing.
It
Is bread and butter
Pepper and salt. The death
That young men hope for. Aimlessly
It pounds the shore. White and aimless signals. No
One listens to poetry.



Língua Coisa

Este oceano, humilhante em seus disfarces
Resiste a tudo.
Ninguém sintoniza na poesia. O oceano
Emite ondas para a sintonia de ninguém. Gota
Ou tromba d´água. Omite
Significados.
É
Manteiga e pão
Pimenta e sal. A morte
Que os jovens almejam. Sem mira
Alveja as margens. Sinais sem mira, alvos. Ninguém
Sintoniza na poesia.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Dois poemas

mas vai, de caneca pelos bancos da nau veloz
corre e das cavas jarras arranca as tampas,
e toma o vinho rubro desde a borra, pois tampouco nós
sóbrios, poderemos nesta vigília permanecer


Fragmento de um poema de Arquíloco (que viveu lá pro século VII a.C.) trauduzido por Paula Corrêa.
Adorei ficar sabendo que o ser humano já era bem humano desde a antiguidade.

O outro poema:



os carros da enxurrada

Tombavam pela encosta
em altas cambalhotas
amáveis vendavais cheios de urros
e os carros da enxurrada
iam desabalados como o amante
pelo corpo da amada vai catando
a inesgotável pedraria.

Gira, perdoa, canta,
meu ágil coração, pura bandeira
de música tecida por mãos leves
para cobrir o corpo quando um dia
tiver estado morto, mas também -
e isso principalmente - para ir
aberta como um livro claríssimo
e sendo profanada pela brisa.


de Rubens Rodrigues Torres Filho.

Este eu tenho que dissecar e apresentar um trabalho de interpretação dele.

terça-feira, 3 de junho de 2008

"quase um 'haiquase' "

 
pela escuridão da serra
meus olhos caçam luzes
como se elas fossem
vagalumes

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Um Pós-Moderno

Eu andei deixando a barba crescer.
Tava sem fazer nada em casa, na vida,
nesses tempos em que eu andei deixando a barba crescer.
Sai de casa pra fazer o que tinha que fazer
e esqueci de propósito o guarda-chuva.
E obviamente choveu. Eu acho que a chuva me faz bem.
Tinha resolvido tomar uma cerveja,
já estava de barba mesmo.
Cerveja me lembra ela, às vezes, por causa de uma música.
Eu sei que tudo isso
é muito egocêntrico, autobiográfico e pseudo-poético,
só porque eu botei em versos.
Mas eu só sai de casa assim mais bonito
pra poder pensar melhor como ela era bonita
e como eu ficava bonito ao lado dela.
Cheguei em casa
e botei um som bem pós-moderno
pra escrever este poema.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Calculado

A cada pulso
um impulso

terça-feira, 13 de maio de 2008

Dente Por Dente

à Beatriz Marchese                                                   


A conheci de longe
e mal sabia, os lábios
fechados nada me diziam.

E francamente
ela ainda não era
nada para mim.

Ainda francamente,
num movimento repentino,
seus dentes surgiram.

Na estrofe seguinte
eu já ria dos risos dela.
Dentes tantos

que no meio de qualquer dia
refletiam a luz do Sol
e me faziam coçar os olhos.

A cada dente
um brilho diferente
ela explodia.

Cada vez mais dentes
aos poucos revelava
uma nova constelação.

Quem estava por perto
bem sabia o seu mistério
que não era segredo algum.

Eu só não sei dizer
se quem brilhava mais
eram seus dentes

ou seus olhares.
E esta é uma história
que não teve fim.

Ela ri até hoje,
até neste poema,
até em mim.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Novo Bárbaro

You don't know me
Bet you'll never get to know me
You don't know me at all
Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There's nothing you can show me
From behind the wall

"Nasci lá na Bahia
De mucama com feitor
O meu pai dormia em cama
Minha mãe no pisador"

"Laia ladaia sabadana Ave Maria
Laia ladaia sabadana Ave Maria"

"Eu agradeço ao povo brasileiro
Norte, Centro, Sul inteiro
Onde reinou o baião"



You Don't Know Me, do álbum Transa, de Caetano Veloso.

Já fazem três dias que eu conheci essa música e passei a escutar ela incessantemente. Na verdade já tinha escutado ela antes, mas estava muito desatento na hora, nem me lembrava de como ela era. Mesmo se tivesse prestado atenção antes, provavelmente eu não estaria tão empolgado, ela não teria feito tanto sentido como me fez esses dias, com certeza.

Além do ritmo, que também é ótimo, e da própria interpretação do Caetano, que acho que não poderia ser melhor, a letra mexeu bastante comigo. Achei ela singela. Antes eu poderia ter só achado que não tinha nada de mais, mas pensar que o próprio sentimento que eu sinto com relação à música é singelo, faz o sentido dela ir além. Talvez esse sentimento não tenha mesmo "nada de mais". O que não me impede de adorar essa música.

E é engraçado tudo isso que ela me passa porque eu andei pensando esses dias sobre o quanto as coisas costumam ganhar e perder sentido (pensando quantitativamente) com o passar do tempo. Passar do tempo, girar do mundo, ou o que seja.

E indo contra essa sensação de que os sentimentos são etéreos, a impressão que eu tenho é de que esses dias, ao escutar ela, meus sentimentos fossem mais eternos. Como se, de fato, o mundo estivesse girando mais devagar.

E mesmo que logo eu comece a "enjoar" um pouco dessa música, o que provavelmente vai acontecer, esse sentimento vai saber que possui morada - na minha memória.



Essa música também veio a me lembrar de um poema bem curto que eu escrevi a uns dois meses atrás, que agora tem uma boa desculpa para ser postado aqui.


passava
tão vagarosamente
que eu quase
deixava
o mundo
girando
passar por mim

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Partida da Estação

Ruídos apressados pelo ar,
a vida passeando.
A saudade vem se aproximando dentro do ônibus.

Ônibus parado. Ao lado,
o lugar onde os abraços contidos
e os beijos guardados na velha geladeira
se derramam pelo chão.
Poucas palavras cabem
em tamanho sentimento.
Tantas palavras para tão pouco tempo.
As lágrimas deixam os sorrisos mais molhados.

Logo vem o último toque.
A porta do ônibus fechando.
O motorista tem que pisar no acelerador.
E a gente não sabe onde está:
se na metade que ficou
ou na metade que vai embora.
A gente senta na poltrona
e pára pra sonhar
enquanto o mundo corre lá fora.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Café

Engulo à seco
um pedaço desta noite
pra ficar com um pouco mais desse dia.