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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

desce uma dose

desce uma dose
em nome de todos os nomes
de todos os santos
em nome
da distante Santos
que esse momento seja inteiro
bêbado, perca a sensação de momento
montanha momentânea
que rolem
as últimas conversas
sobre as mesmas primeiras e todas as coisas

esta noite nos acompanham
algumas luzes das janelas acesas
alguns postes acesos
idéias ascendem
fora de nossas cabeças
uma absurda fascinação cresce
por sobre as coisas mais absurdas

há cartas e mangas na mesa
os amores em jogo
mas só de brincadeira
estão esquentando
as cervejas nos copos
enquanto a noite
surdamente
amanhece por debaixo da escuridão
mas ninguém percebe

desce mais uma dose
em nome da própria dose
brisas distantes estão chegando tarde
é preciso estar acordado
quando era preciso estar sonhando

há um alguém que canta na mesa
e um qualquer que toca um violão
há um poeta que colhe
dados para sua quimera
e o gosto do sorriso de quem namora
na boca dos solteiros

tudo girando e impondo à noite
à todas as rodas das mesas
uma certa melancolia
e uma certa verdade
contidas nesta poesia etílica
incessantemente
até que as janelas escureçam
as luzes do bar se apaguem
nós apaguemos
e restem apenas
as luzes daqueles postes acesos
feito as últimas estrelas desse céu

Um comentário:

Isa disse...

Boca aberta... absurdamente aberta!