Eu sozinho, entediado,
que mal fui amado,
vou no doutor
descobrir uma dor.
A análise fria
de meu corpo quente
indica um nome de doença
e seu combatente:
Pílula do Genérico Amor!
Pra curar essa falta de alguém,
pra fazer todas essas coisas,
coisa e tal.
Ah, euforia,
estou apaixonado!
Ando errando muito,
engraçado...
Foi bom à beça,
mas em duas estrofes
logo cessa.
O que parecia duradouro
fica chocho.
Passa relacionamento
vai perdendo efeito
e as doses vão crescendo.
Cada vez mais insaciado
busco por inspiração,
algo mais forte.
Que nada,
forte sou eu
pois agora tudo me é fraco.
Perdida de vista a cura
do meu eu tão coitado
sou todo largado.
Com a ponta da agulha
te injeto com fúria
e dou um sorriso abestado.
Em meio a tantas cores
e sensações que me são estranhas,
a vejo toda brilhante,
distorcida. Num instante,
um vulto dobrando a esquina,
seu corpo, calejado da química,
e eu, escorado num muro sujo,
apagando.