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sábado, 20 de dezembro de 2008

Oriente - Gilberto Gil

Letra e textos do site do Gil.

Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração

Considere, rapaz
A possibilidade de ir pro Japão
Num cargueiro do Lloyd lavando o porão
Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação

Determine, rapaz
Onde vai ser seu curso de pós-graduação
Se oriente, rapaz
Pela rotação da Terra em torno do Sol
Sorridente, rapaz
Pela continuidade do sonho de Adão



--- x ---



A "voz" - "Eu e Sandra [Sandra Gadelha, a terceira mulher de Gil] estávamos em Ibiza, na Espanha, numa casinha que tínhamos alugado num bosque de eucalipto. Era um fim de tarde de verão; tínhamos ido à praia e tomado orchata de chufa. Eu estava sentado à porta do chalé, fitando a transição do céu azul para o céu noturno; começavam a surgir as primeiras estrelas. Sandra lá dentro, preparando alguma coisa, e eu ali, quieto. De repente eu vi uma estrela cadente e aquilo me deu interiormente a sensação de uma voz. 'Se oriente!' - surgiu essa voz. "Se oriente, rapaz". Aí eu entrei, peguei papel e lápis, e..."

De como os sentimentos e as reflexões foram nutrindo a inspiração poética e a composição se transformando numa condensação de símbolos - "Da saudade do sul - do hemisfério sul - veio a idéia do Cruzeiro como orientação, como se eu tivesse de me lançar ao mar em busca da redescoberta da minha terra (Cabral, as três caravelas, as navegações: tudo isso vinha à cabeça), desencadeando-se a seguir a meditação sobre a minha situação no exílio, com uma auto-justificação da necessidade da viagem e uma metáfora para o sacrifício da aventura forçada (os navios negreiros, o trabalho escravo no porão dos negreiros; tudo vinha à cabeça e os pensamentos iam sendo sintetizados nos versos).

"O fato de eu ter feito o projeto da familia, a faculdade; de ter recusado uma pós-graduação na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, para assumir o trabalho na Gessy-Lever e ficar em São Paulo perto de Caetano, de Bethânia, de Gal, do projeto pessoal, a música; e de o trabalho na Gessy-Lever ter sido uma espécie de pós-graduação também, assim como a situação do exílio tinha para mim um significado de pós-graduação... Por tudo isso Oriente é a música minha que eu considero mais pessoal e auto-solidária, mais solitária. Não sou eu em relação a uma mulher ou a uma cidade; sou eu em relação a mim mesmo, a um momento de vida. Back in Bahia também é auto-referente; ela e Oriente são complementares. Minhas músicas da época são assim. Expresso 2222 é meu disco mais elaborado no sentido de relatar um período."

Atmosfera oriental - "O 'sorridente' foi lembrança remota e inconsciente dos versos de Rogério Duarte comigo em Objeto Semi-Identificado: 'sorridente' contém 'oriente'. (O uso do termo ali dá também um alívio em relação ao tom de cobrança de antes: 'se oriente', 'considere', 'determine'). O clima do oriente estava no ar: os hare-krishna, os tarôs, os I-Chings. E eu estava num ambiente propício para a referência adâmica do final; Ibiza era o paraíso da contracultura, refúgio de hippies de todo o mundo: europeus, americanos, brasileiros, indianos."

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Judiaria

letra: Lupicínio Rodrigues

Agora você vai ouvir aquilo que merece
As coisas ficam muito boas quando a gente esquece
Mas acontece que eu não esqueci a sua covardia
A sua ingratidão
A judiaria que você um dia
Fez pro coitadinho do meu coração
Essas palavras que eu estou lhe falando
Têm uma verdade pura, nua e crua
Eu estou lhe mostrando a porta da rua
Pra que vocês saia sem eu lhe bater
Já chega o tempo que eu fiquei sozinho
Que eu fiquei sofrendo, que eu fiquei chorando
Agora quando eu estou melhorando
Você me aparece pra me aborrecer

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Novo Bárbaro

You don't know me
Bet you'll never get to know me
You don't know me at all
Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There's nothing you can show me
From behind the wall

"Nasci lá na Bahia
De mucama com feitor
O meu pai dormia em cama
Minha mãe no pisador"

"Laia ladaia sabadana Ave Maria
Laia ladaia sabadana Ave Maria"

"Eu agradeço ao povo brasileiro
Norte, Centro, Sul inteiro
Onde reinou o baião"



You Don't Know Me, do álbum Transa, de Caetano Veloso.

Já fazem três dias que eu conheci essa música e passei a escutar ela incessantemente. Na verdade já tinha escutado ela antes, mas estava muito desatento na hora, nem me lembrava de como ela era. Mesmo se tivesse prestado atenção antes, provavelmente eu não estaria tão empolgado, ela não teria feito tanto sentido como me fez esses dias, com certeza.

Além do ritmo, que também é ótimo, e da própria interpretação do Caetano, que acho que não poderia ser melhor, a letra mexeu bastante comigo. Achei ela singela. Antes eu poderia ter só achado que não tinha nada de mais, mas pensar que o próprio sentimento que eu sinto com relação à música é singelo, faz o sentido dela ir além. Talvez esse sentimento não tenha mesmo "nada de mais". O que não me impede de adorar essa música.

E é engraçado tudo isso que ela me passa porque eu andei pensando esses dias sobre o quanto as coisas costumam ganhar e perder sentido (pensando quantitativamente) com o passar do tempo. Passar do tempo, girar do mundo, ou o que seja.

E indo contra essa sensação de que os sentimentos são etéreos, a impressão que eu tenho é de que esses dias, ao escutar ela, meus sentimentos fossem mais eternos. Como se, de fato, o mundo estivesse girando mais devagar.

E mesmo que logo eu comece a "enjoar" um pouco dessa música, o que provavelmente vai acontecer, esse sentimento vai saber que possui morada - na minha memória.



Essa música também veio a me lembrar de um poema bem curto que eu escrevi a uns dois meses atrás, que agora tem uma boa desculpa para ser postado aqui.


passava
tão vagarosamente
que eu quase
deixava
o mundo
girando
passar por mim

sábado, 15 de dezembro de 2007

O Arnaldo Antunes costuma falar umas coisas bem interessantes

Tava lendo esses dias uma entrevista antiguinha do Arnaldo Antunes no site dele quando no meio de uma pergunta ele disse o seguinte:

"Sempre gostei de dançar, acho que o apelo da música sobre o corpo é muito importante. Inclusive a relação entre música e corpo deveria ser mais considerada pela crítica de música em geral. As pessoas, quando pensam em parâmetros para avaliar a qualidade artística de um disco ou de uma canção, nunca pensam em como aquilo bate no corpo, se aquilo é para dançar ou como aquilo arrepia. Porque punk fura bochecha? Porque heavy metal usa couro?. A relação entre música e a coisa orgânica do corpo é uma algo importante. Porque um reggae, quando é dançado, parece que está se lutando contra a gravidade? E no rock você vai a favor dela? Porque no psicodélico você faz outros movimentos? Tudo isso e o jeito de dançar deveriam ser mais considerados."

Bastante interessante. Fico impressionado com a sensibilidade desse cara.

Depois de ler essa entrevista eu comecei a prestar atenção em como o meu corpo reagia aos diversos tipos de música e o que ele falou fez sentido.

Tudo bem que escutando música no computador na qualidade de uma mp3 fica uma coisa um tanto distante das sensações que se têm em um show de rock ou assistindo a uma orquestra. Sentir o soco que vem do bumbo da bateria no seu peito ou o som dos violinos vibrando na sua barriga mexe com quem ta escutando. Acho que isso explica o porque é tão bom escutar música alto.

Isso sem comentar o que ele falou sobre a relação entre música e o jeito de se vestir. Eu nunca tinha pensado dessa maneira, sempre encarava isso apenas como uma forma de moda e de identificação de um grupo, de um jeito até preconceituoso da minha parte. Pensar nessa influência direta da música sobre a forma de se vestir me faz refletir sobre as próprias palavras que são usadas pra descrever uma música, como, por exemplo, chamar o som punk de agessivo. De certa forma, "furar a bochecha" também é agressivo e deixa uma aparência agressiva.

Talvez seja esse apelo da música ao corpo que explica o porque existem músicos surdos. Música vai além da audição.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Sabe como é

Eu queria colocar um monte de coisas nuns versos,
mas eu ando meio instrumental.


Miles Davis - 'Round Midnight

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Would? (Alice in Chains)

Eu poderia escrever um livro tamanho Bíblia falando sobre essa música, mas fã babando ovo ninguém merece. Só vou falar que é a trilha sonora dos meus últimos meses.
Link da música aqui.
E a letra alí:



Know me broken by my master
Teach thee on child of love hereafter

Into the flood again
Same old trip it was back then
So I made a big mistake
Try to see it once my way

Drifting body its sole desertion
Flying not yet quite the notion

Am I wrong?
Have I run too far to get home
Have I gone?
And left you here alone
If I would, could you?