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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

sobras do panfleto incompleto

I - Paciência

tinha mais que uma pedra
no meio do caminho das pedras


II - Realidade

sentiu-se só
na dor que era de todo mundo e de mais ninguém

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

me dei e parei
em uma rua de triplo sentido:
pro lado esquerdo
pro lado errado
e o sentido algum
de ficar parado

continuei
pra qualquer lado

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Caminhada

passo a passos                              
passo                              
o chão para trás                              

passo
faço
o caminho

passo pelo espaço                              
discreto                              
ou com estardalhaço                              

passo o passo
tato da sola
em contato com o solo

passo a passo                              
calçado                              
e calçada                              

passo
pra frente
não desfaço

passo                              
tropeço                              
de cadarço                              

passo porque posso
às vezes
passo a vez

passo                              
a vez                              
às vezes passa                              

passo
o presente
pro passado





A formatação do texto ainda ficou devendo (eu tenho sérios problemas com isso no blogspot). Mas está bom.
Talvez eu mude as cores daqui, pra ficar com novos ares, pra 2008.
Caminhar exercita a mente e o corpo.
Ah, e um feliz ano a todos!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

estória de escritor

uma vez
pescando por essas águas
fisguei o maior poema dos últimos tempos

com muito esforço
cheguei a puxar metade das estrofes
pela ponta dos versos
pouco a pouco ia ganhando a briga
mas quando a resolução
já estava saindo da água turva
o bicho, forçudo que só,
me quebrou o fio da meada
e fugiu por água abaixo
me deixando só com um lápis
e alguns versos na mão

mas te contar que aquilo
era uma obra prima...

sábado, 15 de dezembro de 2007

O Arnaldo Antunes costuma falar umas coisas bem interessantes

Tava lendo esses dias uma entrevista antiguinha do Arnaldo Antunes no site dele quando no meio de uma pergunta ele disse o seguinte:

"Sempre gostei de dançar, acho que o apelo da música sobre o corpo é muito importante. Inclusive a relação entre música e corpo deveria ser mais considerada pela crítica de música em geral. As pessoas, quando pensam em parâmetros para avaliar a qualidade artística de um disco ou de uma canção, nunca pensam em como aquilo bate no corpo, se aquilo é para dançar ou como aquilo arrepia. Porque punk fura bochecha? Porque heavy metal usa couro?. A relação entre música e a coisa orgânica do corpo é uma algo importante. Porque um reggae, quando é dançado, parece que está se lutando contra a gravidade? E no rock você vai a favor dela? Porque no psicodélico você faz outros movimentos? Tudo isso e o jeito de dançar deveriam ser mais considerados."

Bastante interessante. Fico impressionado com a sensibilidade desse cara.

Depois de ler essa entrevista eu comecei a prestar atenção em como o meu corpo reagia aos diversos tipos de música e o que ele falou fez sentido.

Tudo bem que escutando música no computador na qualidade de uma mp3 fica uma coisa um tanto distante das sensações que se têm em um show de rock ou assistindo a uma orquestra. Sentir o soco que vem do bumbo da bateria no seu peito ou o som dos violinos vibrando na sua barriga mexe com quem ta escutando. Acho que isso explica o porque é tão bom escutar música alto.

Isso sem comentar o que ele falou sobre a relação entre música e o jeito de se vestir. Eu nunca tinha pensado dessa maneira, sempre encarava isso apenas como uma forma de moda e de identificação de um grupo, de um jeito até preconceituoso da minha parte. Pensar nessa influência direta da música sobre a forma de se vestir me faz refletir sobre as próprias palavras que são usadas pra descrever uma música, como, por exemplo, chamar o som punk de agessivo. De certa forma, "furar a bochecha" também é agressivo e deixa uma aparência agressiva.

Talvez seja esse apelo da música ao corpo que explica o porque existem músicos surdos. Música vai além da audição.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Mar de Lama

nada poeta nada

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

um pouco de interdisciplinaridade...

"O Binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.

óóóó---óóóóóó óóó---óóóóóóó óóóóóóóó

(O vento lá fora.)"

Álvaro de Campos, 15/01/1928




Ainda não consegui descobrir a beleza do binômio do Newton, mas hoje me maravilhei com o moto perpétuo (ou moto contínuo). Me fez pensar sobre a força desajustada da vida.