Diálogo sobre o tempo
(ou Experimentando o que eu acho que se chama escrita livre)
A: Aqui neste quarto faz tanto tempo agora. Apesar de aqui não haver nenhum relógio marcando os segundos eu sinto como se cada canto estivesse permeado por todo o tempo.
B: Eu não sinto nada do que você está dizendo. Me sinto bem... Sinto um cansaço.
A: Também sinto o mesmo, pelo mesmo motivo que você, mas não consigo desligar minha mente dessa sensação.
B: No máximo, eu consigo sentir um pequeno sentimento de agora. Deve ser o sono chegando em mim. Você tomou muito café hoje.
A: Talvez. Aliás, o dia de hoje me soa como algo distante, como se tudo que eu tivesse feito já tenha sido a muito tempo atrás. Como se a muito tempo, tirando essa reflexão, eu não fizesse nada.
B: Não sei se entendo muito bem o que você quer dizer.
A: É como se, pra mim, o agora fosse muito menor do que todo o resto do tempo.
B: Uhm. Não sei, me parece que eu não fiz nada durante todo esse tempo que você fala, exceto agora.
A: Como assim?
B: É como se pra mim não existisse muito essa noção de tempo. Acho que, por eu não conseguir pensar muito no tempo, talvez ele exista menos para mim do que para você.
A: Entendo. Mas assim me parece que você tem bem mais tempo do que eu, só não sabe disso.
B: Se for, acho que não sei mesmo. Pelo menos assim eu uso esse tempo pra fazer inveja nos outros (sorriso).
A: (sorriso) É...
B: .
A: Acho que agora sou eu que estou com sono.
B: Eu já perdi o meu. Vem cá...